Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo
Durante as primeiras duas horas do depoimento do perito Renato Domingos Pattoli, que coordenou a elaboração dos laudos feitos pelo Instituto de Criminalística (IC-SP) na investigação do assassinato de Mércia Nakashima, a defesa do policial militar reformado Mizael Bispo de Souza tentou desconstruir os elementos que a acusação utiliza para ligá-lo à cena do crime. Ao ser ouvido nesta quarta-feira, terceiro dia do júri, o perito afirmou que, embora tenha sido constatado que havia vestígios de chumbo no sapato do réu - provenientes de projétil de arma de fogo -, o material não era compatível com os projéteis extraídos do carro onde Mércia foi assassinada. Entretanto, indagado pelo promotor Rodrigo Merli Antunes, o perito admitiu que na casa de Mizael foram encontrados projéteis com a mesma composição metálica que os achados no carro da vítima.
Durante o seu depoimento, que durou quase três horas e meia, Pattoli admitiu que não é possível afirmar, com certeza, que os vestígios coletados no sapato do réu eram, de fato, sangue e partículas ósseas - como argumenta a acusação. Ele também afirmou que a terra extraída do sapato do réu não é compatível à retirada da represa onde o corpo da vítima foi localizado.
A acusação sempre sustentou que o fato de terem sido
encontrados no sapato do réu vestígios de sangue, de osso, de chumbo e
de alga, o colocava na cena do crime. Hoje, no entanto, a defesa
explorou outras possibilidades para o material examinado e, para tanto,
tentar desqualificar as provas técnicas do laudo.
"(A reação do luminol com o material coletado no sapato)
É um indicativo de que pode ser sangue", afirmou o perito. "Mas pode
não ser", completou Pattoli, ao ser questionado pelos advogados de
Mizael, explicando que o luminol (componente químico usado na realização
de laudos) também reage e apresenta luminosidade diante de outros
elementos, como ferrugem, por exemplo.
Indagado pela defesa se é possível confirmar, sem
dúvida, que os demais vestígios achados no sapato eram partículas ósseas
- como aponta a acusação -, ele admitiu que não.
Alga
O perito do IC admitiu ainda que a alga encontrada no sapato de Mizael, embora fosse originária de uma represa (pelas características), poderia ter sido encontrada em outra represa que não a mesma onde o corpo de Mércia foi achado.
O perito do IC admitiu ainda que a alga encontrada no sapato de Mizael, embora fosse originária de uma represa (pelas características), poderia ter sido encontrada em outra represa que não a mesma onde o corpo de Mércia foi achado.
Por fim, ele também admitiu que os exames revelaram que a
terra encontrada no sapato do réu não era compatível com a extraída na
cena do crime, causando surpresa ao promotor Rodrigo Merli, que lembrou
que, em audiência anterior, ele afirmou que a terra era sim compatível.
"Com certeza não é a mesma terra", afirmou.
Pattoli, entretanto, foi categórico ao afirmar que não é
possível considerar falha a realização dos laudos periciais. "Não há o
que se falar em falha", completou.
O caso Mércia
A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita, mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.
O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.
A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita, mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.
O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.
Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro
afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi
obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Entretanto,
rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização
da Justiça colocaram os dois na cena do crime, de acordo com as
investigações. Outra prova que será usada pela promotoria é um laudo
pericial de um sapato de Mizael, no qual foram encontrados vestígio de
sangue, partículas ósseas, vestígios do projétil da arma de fogo e uma
alga típica de áreas de represa.
Mizael teve sua prisão decretada pela Justiça em
dezembro de 2010, mas se escondeu após considerar a prisão "arbitrária e
injusta", ficando foragido por mais de um ano. Em fevereiro de 2012,
porém, ele se entregou à Justiça de Guarulhos e, desde então, aguardava
ao julgamento no Presídio Militar de Romão Gomes - enquanto o vigia
permanece preso na Penitenciária de Tremembé. Mizael nega ter
assassinado Mércia e disse, na ocasião, que a tratava como "uma rainha".
Já o vigia afirmou, em depoimento, que não sabia das intenções do
advogado e que apenas lhe deu uma carona. Se condenados, eles podem
ficar presos por até 30 anos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário