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terça-feira, 12 de março de 2013

Investigador diz que Mizael conversou 19 vezes com vigia no dia do desaparecimento de Mércia

Acusado teria usado telefone “frio” para fazer e receber ligações

Ana Cláudia Barros e Vanessa Beltrão, do R7
Reprodução/TJ-SP Mizael assiste ao segundo dia de julgamento, no Fórum de Guarulhos
Convocado pela defesa, o policial civil Alexandre Simone Silva foi a quarta testemunha ouvida nesta terça-feira (12), segundo dia do julgamento de Mizael Bispo, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima. De acordo com o depoimento do investigador, Mizael e o vigia Evandro Bezerra, também acusado pelo crime, conversaram 19 vezes no dia do desaparecimento da vítima por um telefone “frio”, ou seja, que não estava cadastrado no nome do réu.  
Atualmente lotado no Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado), Simone foi convidado a auxiliar nas investigações do desaparecimento advogada Mércia em função do conhecimento em telefonia, já que participou na elucidação de mais de cem casos de extorsão mediante sequestro. Na época, o policial trabalhou na análise das contas telefônicas do acusado e da vítima e com o cruzamento dessas informações com dados do GPS do carro do PM reformado.

O investigador explicou que o objetivo ao iniciar a análise era observar algo fora do padrão.

— Os números inicialmente apresentados por ele [Mizael] não tinham nenhuma anormalidade de padrão. A anormalidade só foi observada em relação ao outro celular.

O telefone em que foram verificadas divergências, na comparação com o rastreador do veículo, não estaria cadastrado no nome de Mizael Bispo, mas no de um morador da cidade de Cotia, na Grande São Paulo. De acordo com a testemunha, chegou-se à conclusão de que o celular pertencia ao acusado pelo padrão de uso, semelhante ao do réu. As ERBs (Estações Rádio-Base) usadas pelo telefone eram compatíveis com as acionadas por outros celulares do PM reformado.

Mizael Bispo, conforme o investigador, usou o número para se comunicar com Bezerra nos dias 16, 20 e 23 de maio daquele ano. Ainda segundo Simone, as datas coincidem com os dias em que Mizael estava com Mércia.  

Um ponto que chamou a atenção do policial foi que o réu ligava para a vítima em um telefone cadastrado no nome dele e, na sequência, telefonava para o vigia, usando outra linha. O telefone “frio” não teria mais sido utilizado após o dia 23 de maio. Antenas
Durante a investigação policial, Mizael informou que o carro dele ficou estacionado na porta do Hospital Geral de Guarulhos na noite de 23 de maio, quando Mércia desapareceu.  A testemunha informou que, por conta disso, esperava que as antenas de telefone, as chamadas ERBs (Estações Rádio-Base) localizadas nas proximidades da unidade de saúde fossem mais utilizadas, o que pelos registros que compõe o inquérito não aconteceu.
Por volta das 21h21 daquele dia, o celular de Mizael foi captado por uma ERB da rua Antônio Tava, em Guarulhos,  após o réu receber uma ligação. A via está localizada a 16 km do Hospital Geral, onde o veículo dele estava.
De acordo com o investigador, o GPS do carro da vítima apontou estava parado, mas a ligação que foi captada por uma antena distante do hospital indicava que o réu se movimentava.

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