Atualmente lotado no Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado), Simone foi convidado a auxiliar nas investigações do desaparecimento advogada Mércia em função do conhecimento em telefonia, já que participou na elucidação de mais de cem casos de extorsão mediante sequestro. Na época, o policial trabalhou na análise das contas telefônicas do acusado e da vítima e com o cruzamento dessas informações com dados do GPS do carro do PM reformado.
O investigador explicou que o objetivo ao iniciar a análise era observar algo fora do padrão.
— Os números inicialmente apresentados por ele [Mizael] não tinham nenhuma anormalidade de padrão. A anormalidade só foi observada em relação ao outro celular.
O telefone em que foram verificadas divergências, na comparação com o rastreador do veículo, não estaria cadastrado no nome de Mizael Bispo, mas no de um morador da cidade de Cotia, na Grande São Paulo. De acordo com a testemunha, chegou-se à conclusão de que o celular pertencia ao acusado pelo padrão de uso, semelhante ao do réu. As ERBs (Estações Rádio-Base) usadas pelo telefone eram compatíveis com as acionadas por outros celulares do PM reformado.
Mizael Bispo, conforme o investigador, usou o número para se comunicar com Bezerra nos dias 16, 20 e 23 de maio daquele ano. Ainda segundo Simone, as datas coincidem com os dias em que Mizael estava com Mércia.
Um ponto que chamou a atenção do policial foi que o réu ligava para a vítima em um telefone cadastrado no nome dele e, na sequência, telefonava para o vigia, usando outra linha. O telefone “frio” não teria mais sido utilizado após o dia 23 de maio. Antenas
Durante a investigação policial, Mizael informou que o carro dele ficou estacionado na porta do Hospital Geral de Guarulhos na noite de 23 de maio, quando Mércia desapareceu. A testemunha informou que, por conta disso, esperava que as antenas de telefone, as chamadas ERBs (Estações Rádio-Base) localizadas nas proximidades da unidade de saúde fossem mais utilizadas, o que pelos registros que compõe o inquérito não aconteceu.
Por volta das 21h21 daquele dia, o celular de Mizael foi captado por uma ERB da rua Antônio Tava, em Guarulhos, após o réu receber uma ligação. A via está localizada a 16 km do Hospital Geral, onde o veículo dele estava.
De acordo com o investigador, o GPS do carro da vítima apontou estava parado, mas a ligação que foi captada por uma antena distante do hospital indicava que o réu se movimentava.
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